Tratamentos
Raspagem periodontal: como é o tratamento e a recuperação
A raspagem é a base do tratamento da periodontite. Veja como ela é feita, o que esperar da recuperação e quais cuidados ajudam a manter a gengiva saudável depois.
Quem recebe o diagnóstico de periodontite costuma ouvir logo em seguida a palavra raspagem. É natural que surjam dúvidas: dói? Quantas sessões são? Como fica a gengiva depois? Saber o que vai acontecer ajuda a chegar à consulta com mais tranquilidade.
Neste texto, explicamos o que é a raspagem periodontal, como ela é realizada, o que costuma acontecer nos dias seguintes e por que o cuidado não termina na última sessão.
O que é a raspagem periodontal
A raspagem periodontal é a limpeza profissional feita abaixo da linha da gengiva. Nos artigos científicos, ela aparece com o nome de instrumentação subgengival. O objetivo é remover a placa bacteriana e o tártaro que se acumulam dentro das bolsas periodontais, que são os espaços que se formam entre o dente e a gengiva quando há perda de suporte.
Ela é diferente da limpeza de rotina. Na limpeza periódica, o foco é a placa e o tártaro acima ou logo na margem da gengiva. Na raspagem, o trabalho alcança a superfície da raiz, em áreas que a escova e o fio dental não conseguem atingir.
Onde ela entra no tratamento da periodontite
A diretriz clínica da Federação Europeia de Periodontia (EFP), publicada em 2020, organiza o tratamento da periodontite em etapas. A raspagem faz parte do segundo passo, mas o processo é contínuo:
- Primeiro passo: orientação de higiene, controle de fatores de risco, como o tabagismo e o diabetes, e remoção da placa e do tártaro acima da gengiva.
- Segundo passo: raspagem das bolsas periodontais, com ou sem recursos complementares, conforme cada caso.
- Terceiro passo: nas áreas que não responderam como esperado, nova instrumentação ou, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
- Quarto passo: terapia de suporte, que são as consultas de manutenção ao longo do tempo.
Ou seja, a raspagem é uma peça central, mas funciona melhor quando vem acompanhada de mudança na rotina de cuidados em casa. Uma visão geral dessas etapas está no artigo Periodontite tem tratamento?.
Como é a sessão
Antes de começar, o periodontista revisa as medidas da sondagem para saber quais áreas precisam de mais atenção. Em geral, a raspagem é feita com anestesia local nas regiões tratadas, o que torna o procedimento mais confortável.
A limpeza pode ser feita com instrumentos manuais, chamados curetas, com aparelhos ultrassônicos ou com a combinação dos dois. Uma revisão sistemática publicada junto com a diretriz da EFP não encontrou diferença de resultado entre esses instrumentos, nem entre tratar a boca por partes, em várias sessões, ou em um número menor de sessões mais longas. A escolha depende da extensão da doença, do conforto do paciente e do planejamento do profissional.
Uma dúvida frequente é se a raspagem dói. Com a anestesia local, a maior parte das pessoas relata apenas sensação de pressão e vibração durante o procedimento. Quem tem receio de dentista pode conversar sobre isso antes, para que o atendimento seja planejado com pausas e no ritmo mais confortável possível. O número de sessões também varia, de acordo com a quantidade de dentes envolvidos e a profundidade das bolsas.
Como costuma ser a recuperação
A maioria das pessoas retoma a rotina no mesmo dia. Nas primeiras horas, enquanto a anestesia passa, é recomendável evitar alimentos muito quentes e tomar cuidado para não morder a bochecha ou o lábio. Alguns efeitos são comuns e, em geral, passageiros:
- Sensibilidade: dentes mais sensíveis ao frio são frequentes nos primeiros dias. Uma revisão sistemática sobre o tema descreveu esse incômodo como leve a moderado e transitório na maioria dos estudos.
- Gengiva dolorida: um desconforto leve na gengiva pode aparecer por um ou dois dias.
- Pequeno sangramento: pode ocorrer na escovação dos primeiros dias e tende a diminuir à medida que a inflamação cede.
- Mudança no contorno: com a redução do inchaço, a gengiva pode ficar mais firme e um pouco mais baixa, deixando os dentes com aspecto um pouco mais longo.
O periodontista orienta os cuidados para cada caso, incluindo a forma de escovar as áreas tratadas e, quando necessário, o uso de produtos para sensibilidade. Se algum sintoma parecer fora do esperado, o ideal é entrar em contato com o consultório.
A higiene em casa é parte do tratamento. Escovar bem e limpar entre os dentes todos os dias ajuda a manter o resultado da raspagem.
Reavaliação e manutenção
Algumas semanas depois da raspagem, a gengiva é reavaliada com uma nova sondagem. A revisão sistemática que embasou a diretriz europeia mostrou, em média, redução de cerca de 1,4 mm na profundidade das bolsas e fechamento de cerca de três em cada quatro bolsas tratadas entre seis e oito meses após o tratamento. Ainda assim, a resposta varia de pessoa para pessoa e de dente para dente.
Se ainda houver áreas com bolsas profundas, o periodontista discute os próximos passos. Quando a gengiva está estável, começa a fase de manutenção, com consultas em intervalos definidos conforme o risco de cada pessoa. Essas consultas ajudam a perceber mudanças cedo e a manter a doença controlada.
Quando procurar avaliação
Vale procurar um periodontista se você percebe sangramento frequente, gengiva inchada, mau hálito persistente, dentes que parecem mais compridos ou com mobilidade. Também vale buscar avaliação se outro profissional já indicou raspagem e você quer entender o seu caso com mais detalhes.
Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela Lantyer, especialista e mestre em Periodontia, faz a avaliação completa e explica cada etapa antes de iniciar o tratamento. A indicação da raspagem e o número de sessões sempre dependem dessa avaliação.

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.
Referências
- Sanz M, Herrera D, Kebschull M, et al. Treatment of stage I-III periodontitis: The EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol. 2020;47(Suppl 22):4-60. doi.org/10.1111/jcpe.13290
- Suvan J, Leira Y, Moreno Sancho FM, et al. Subgingival instrumentation for treatment of periodontitis. A systematic review. J Clin Periodontol. 2020;47(Suppl 22):155-175. doi.org/10.1111/jcpe.13245
- Lin YH, Gillam DG. The prevalence of root sensitivity following periodontal therapy: a systematic review. Int J Dent. 2012;2012:407023. doi.org/10.1155/2012/407023
- Papapanou PN, Sanz M, Buduneli N, et al. Periodontitis: Consensus report of workgroup 2 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S162-S170. doi.org/10.1111/jcpe.12946
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.
