Periodontite

Periodontite tem tratamento? Entenda as etapas do cuidado com a gengiva

A periodontite pode ser tratada e controlada. Conheça as etapas do tratamento recomendadas pelas diretrizes atuais e o papel do paciente em cada uma delas.

6 min de leituraPor Dra. Rafaela Lantyer

Receber o diagnóstico de periodontite costuma gerar dúvidas e alguma preocupação. Será que tem cura? Como fica a saúde dos dentes? Vou precisar de cirurgia? São perguntas comuns, e a resposta mais honesta começa com uma boa notícia: a periodontite tem tratamento, e em muitos casos é possível controlar a doença e preservar os dentes por longo prazo.

O tratamento, porém, não é um procedimento único. Ele acontece em etapas, que envolvem tanto o trabalho do periodontista quanto a participação ativa do paciente. Entender esse caminho ajuda a encarar o processo com mais tranquilidade.

O que é periodontite

A periodontite é uma inflamação crônica dos tecidos que sustentam os dentes: gengiva, ligamento e osso. Ela começa, em geral, como uma gengivite que não foi controlada. Com o tempo, a inflamação pode levar à perda de inserção, que é o desprendimento das fibras que prendem a gengiva e o osso ao dente, e à formação de bolsas periodontais, o espaço que se forma entre o dente e a gengiva.

É uma condição frequente no mundo todo. Um grande levantamento publicado em 2014 estimou que a forma grave da periodontite afeta cerca de 11% dos adultos, com aumento importante da prevalência entre os 30 e os 40 anos de idade. Por ser, muitas vezes, silenciosa, ela pode avançar sem dor, o que torna as avaliações periódicas especialmente úteis.

Como a periodontite é classificada

Desde a classificação internacional de 2017, publicada em 2018 pelas sociedades americana e europeia de periodontia, a periodontite é descrita por estágio e grau. Essa forma de classificar ajuda a planejar o tratamento de maneira individual.

  • Estágio (I a IV): indica a gravidade e a complexidade do caso, considerando a perda de inserção, a perda óssea, a profundidade das bolsas e eventuais dentes perdidos pela doença.
  • Grau (A, B ou C): estima a velocidade de progressão e o risco de a doença avançar, levando em conta fatores como tabagismo e diabetes.

Assim, duas pessoas com "periodontite" podem ter situações bem diferentes. O exame clínico completo, com sondagem e radiografias, é o que permite definir estágio e grau.

As etapas do tratamento

Em 2020, a Federação Europeia de Periodontia publicou uma diretriz clínica para o tratamento da periodontite nos estágios I a III. Ela organiza o cuidado em quatro etapas, aplicadas de forma progressiva, conforme a resposta de cada paciente.

Etapa 1: preparar o terreno

A primeira etapa tem foco no controle da placa bacteriana e dos fatores de risco. Inclui orientação detalhada de higiene, com escova e limpeza entre os dentes, remoção profissional da placa e do tártaro acima da gengiva, e conversa sobre hábitos como o tabagismo e o controle do diabetes. Essa etapa vale para todos os pacientes e é a base de tudo o que vem depois.

Etapa 2: tratar abaixo da gengiva

Na segunda etapa, é feita a instrumentação subgengival, conhecida como raspagem periodontal. O periodontista remove a placa e o cálculo que estão dentro das bolsas, sobre a raiz dos dentes, geralmente com anestesia local para mais conforto. Em situações específicas, podem ser considerados recursos complementares, sempre de acordo com a avaliação.

Etapa 3: cuidar das áreas que não responderam

Algumas semanas depois, é feita uma reavaliação. Muitas áreas melhoram apenas com as etapas anteriores. Onde ainda há bolsas profundas com sangramento, a diretriz prevê novas abordagens, que podem incluir repetir a instrumentação ou realizar cirurgias periodontais. Em alguns defeitos ósseos, a regeneração periodontal pode ser uma opção para ajudar a recuperar parte dos tecidos de suporte.

Etapa 4: manutenção

A última etapa é contínua: a terapia periodontal de suporte. São consultas regulares, em intervalos que costumam variar de 3 a 12 meses conforme o risco de cada pessoa, para reavaliar a gengiva, reforçar a higiene e remover novos depósitos. É essa etapa que ajuda a manter estáveis os resultados alcançados.

Periodontite tem cura?

Essa é uma pergunta frequente. A periodontite é considerada uma doença crônica, o que significa que o objetivo do tratamento é controlar a inflamação e estabilizar os tecidos. Com o tratamento e a manutenção adequados, muitas pessoas conseguem manter a gengiva saudável e os dentes por longo prazo.

Por outro lado, o osso perdido nem sempre se recupera, e a gengiva pode ficar um pouco mais retraída depois que a inflamação diminui. Por isso, a avaliação também inclui conversar sobre expectativas, de forma clara e realista.

O sucesso do tratamento periodontal depende de uma parceria: o trabalho no consultório e a rotina de cuidados em casa caminham juntos.

O papel do paciente

A diretriz europeia dá grande importância à participação do paciente. Alguns pontos fazem diferença no resultado:

  • Higiene diária caprichada, com escova e limpeza entre os dentes, do jeito orientado na consulta.
  • Parar de fumar, com apoio médico quando necessário.
  • Manter o diabetes controlado, em acompanhamento com o médico.
  • Comparecer às consultas de manutenção no intervalo combinado.

A relação entre a gengiva e a saúde geral é um tema que interessa a muita gente. Falamos mais sobre isso no artigo periodontite e saúde geral.

Quando procurar avaliação

Vale procurar um periodontista se você percebe sangramento frequente na gengiva, mau hálito persistente, dentes que parecem mais compridos, espaços novos entre os dentes ou sensação de dente mole. Também é indicado para quem já recebeu o diagnóstico de periodontite e não faz acompanhamento há algum tempo.

Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela Lantyer, especialista e mestre em Periodontia, realiza a avaliação e o acompanhamento de pacientes com periodontite. O plano de tratamento é sempre definido depois do exame presencial, de acordo com o estágio, o grau e as necessidades de cada pessoa.

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Dra. Rafaela Lantyer
Dra. Rafaela Lantyer

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.

Referências

  1. Sanz M, Herrera D, Kebschull M, et al. Treatment of stage I-III periodontitis-The EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol. 2020;47(Suppl 22):4-60. doi.org/10.1111/jcpe.13290
  2. Papapanou PN, Sanz M, Buduneli N, et al. Periodontitis: Consensus report of workgroup 2 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S162-S170. doi.org/10.1111/jcpe.12946
  3. Tonetti MS, Greenwell H, Kornman KS. Staging and grading of periodontitis: Framework and proposal of a new classification and case definition. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S149-S161. doi.org/10.1111/jcpe.12945
  4. Kassebaum NJ, Bernabé E, Dahiya M, Bhandari B, Murray CJ, Marcenes W. Global burden of severe periodontitis in 1990-2010: a systematic review and meta-regression. J Dent Res. 2014;93(11):1045-1053. doi.org/10.1177/0022034514552491

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.

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