Cirurgia plástica gengival

Manchas escuras na gengiva: pigmentação melânica e peeling gengival

Na maioria das vezes, a gengiva mais escura é apenas uma característica natural. Entenda a diferença entre pigmentação melânica e outras manchas e o que é o peeling gengival.

5 min de leituraPor Dra. Rafaela Lantyer

Muita gente repara, ao sorrir diante do espelho ou em uma foto, que a gengiva tem áreas amarronzadas ou mais escuras. A primeira reação costuma ser de preocupação. Na grande maioria das vezes, porém, essas manchas são apenas uma característica natural do corpo, assim como a cor da pele e dos cabelos.

Neste texto, explicamos o que é a pigmentação melânica, por que algumas manchas merecem uma avaliação mais cuidadosa e como funciona o peeling gengival, procedimento estético para quem se incomoda com a cor da gengiva.

O que é a pigmentação melânica

A melanina é o pigmento que dá cor à pele. Ela também é produzida na gengiva, por células chamadas melanócitos. Quando há mais melanina nesse tecido, a gengiva pode ganhar faixas ou manchas que vão do castanho-claro ao marrom-escuro.

Essa pigmentação é chamada de fisiológica porque não é doença. Ela é mais comum em pessoas de pele mais escura, costuma aparecer dos dois lados da boca de forma parecida e acompanha a pessoa há anos, sem mudanças bruscas. Em geral, fica mais visível na gengiva da frente, na região que aparece ao sorrir.

Vale lembrar que não existe uma única cor "certa" de gengiva. A gengiva saudável pode variar do rosa-claro ao rosa mais intenso, com ou sem áreas pigmentadas. O que indica saúde é outra coisa: gengiva firme, bem adaptada aos dentes e que não sangra com facilidade ao escovar ou passar o fio dental.

O cigarro também pode escurecer a gengiva, em uma condição conhecida como melanose do fumante. Nesses casos, a cor tende a clarear com o tempo depois que a pessoa para de fumar, e essa costuma ser a primeira recomendação.

Quando uma mancha merece uma avaliação mais atenta

Nem toda mancha escura na boca tem a mesma origem. Revisões sobre lesões pigmentadas da boca mostram uma lista variada de causas, que vai de alterações naturais a efeitos de medicamentos, partículas de restaurações antigas e, mais raramente, condições que precisam de investigação. Por isso, toda mancha nova ou diferente deve ser examinada por um profissional. Alguns sinais pedem essa avaliação:

  • Mancha que surgiu recentemente, em um adulto, sem histórico anterior.
  • Mancha isolada, em um só ponto, com bordas irregulares ou cor desigual.
  • Área que aumentou de tamanho, mudou de cor ou ficou elevada.
  • Mancha associada a ferida, sangramento sem motivo aparente ou outros sintomas.
  • Escurecimento que começou junto com o uso de algum medicamento novo.

Ter um desses sinais não significa que exista algo grave. Significa apenas que a mancha precisa ser bem examinada antes de qualquer decisão. Na consulta, a profissional faz perguntas sobre a história da mancha, examina toda a boca e, quando necessário, indica exames complementares ou encaminha para outro especialista. Essa etapa vem sempre antes de pensar em qualquer procedimento estético.

O que é o peeling gengival

Quando a pigmentação é melânica fisiológica e a pessoa se sente incomodada com a aparência, existe a opção da despigmentação gengival, também chamada de peeling gengival. Ela é uma das cirurgias plásticas gengivais e tem finalidade estética: a gengiva escura não precisa ser tratada por motivos de saúde.

O procedimento consiste em remover a camada mais superficial da gengiva, onde se concentra a melanina. É feito no consultório, com anestesia local, e a gengiva se recompõe nas semanas seguintes com uma coloração mais clara e uniforme. A literatura descreve diferentes técnicas para isso, e a escolha depende da avaliação de cada caso.

Antes do peeling, é importante que a gengiva esteja saudável. Se houver gengivite ou tártaro, o primeiro passo costuma ser tratar a inflamação. Também é avaliado o formato do sorriso: em alguns casos, a queixa estética envolve a quantidade de gengiva que aparece, e a conversa pode incluir outras opções, como a gengivoplastia.

Para quem o peeling costuma ser considerado

  • Pessoas com pigmentação melânica fisiológica, já avaliada, que se sentem incomodadas com a cor da gengiva ao sorrir.
  • Quem tem a gengiva saudável, sem inflamação ativa, ou já tratou a gengivite antes.
  • Pacientes que entendem que se trata de um procedimento estético e que a cor pode voltar com o tempo.

Em quem fuma, a conversa sobre parar de fumar costuma vir antes, já que o cigarro também contribui para o escurecimento da gengiva.

Recuperação e possibilidade de repigmentação

Nos primeiros dias, a gengiva fica sensível e pede cuidados com a alimentação e a higiene, conforme as orientações recebidas. A cicatrização costuma ser tranquila, e o acompanhamento nas consultas de revisão ajuda a observar a evolução.

A pigmentação pode voltar com o tempo, de forma parcial ou total. Uma revisão sistemática sobre técnicas de despigmentação mostrou que a taxa de repigmentação varia conforme o método usado, mas está presente na literatura. Por isso, o resultado não deve ser entendido como definitivo.

O tabagismo é um fator que pode favorecer o retorno das manchas, e evitá-lo ajuda a manter a gengiva mais clara por mais tempo. Se a pigmentação voltar e continuar incomodando, a situação pode ser reavaliada no futuro.

Quando procurar avaliação

Procure um periodontista se surgiu uma mancha nova, se alguma área mudou de aspecto ou se a cor da gengiva incomoda você ao sorrir. Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela, especialista e mestre em Periodontia, examina a gengiva com calma, ajuda a diferenciar a pigmentação natural de outras causas e, quando faz sentido, explica as possibilidades do peeling gengival e seus limites.

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Dra. Rafaela Lantyer
Dra. Rafaela Lantyer

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.

Referências

  1. Müller S. Melanin-associated pigmented lesions of the oral mucosa: presentation, differential diagnosis, and treatment. Dermatol Ther. 2010;23(3):220-229. doi.org/10.1111/j.1529-8019.2010.01319.x
  2. Kauzman A, Pavone M, Blanas N, Bradley G. Pigmented lesions of the oral cavity: review, differential diagnosis, and case presentations. J Can Dent Assoc. 2004;70(10):682-683. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15530266/
  3. Lin YH, Tu YK, Lu CT, et al. Systematic review of treatment modalities for gingival depigmentation: a random-effects Poisson regression analysis. J Esthet Restor Dent. 2014;26(3):162-178. doi.org/10.1111/jerd.12087
  4. Alasmari DS. An insight into gingival depigmentation techniques: The pros and cons. Int J Health Sci (Qassim). 2018;12(5):84-89. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30202412/

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.

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