Cirurgia plástica gengival
Regeneração periodontal: como funciona e quando é indicada
A regeneração periodontal busca recuperar parte do suporte perdido ao redor do dente. Entenda em que situações ela é considerada e o que influencia os resultados.
Quando a periodontite avança, ela não afeta só a gengiva. Com o tempo, a inflamação pode destruir parte do osso e das fibras que prendem o dente no lugar. Por muito tempo, o tratamento conseguia apenas controlar a doença e estabilizar o que restava. Hoje, em algumas situações específicas, é possível ir além.
A regeneração periodontal é um conjunto de técnicas cirúrgicas que tem como objetivo estimular o próprio organismo a formar novamente parte desses tecidos de suporte. Ela não é indicada para todos os casos, e entender quando faz sentido ajuda a ter expectativas realistas sobre o tratamento.
O que significa regenerar o periodonto
O periodonto é o conjunto de estruturas que sustentam o dente: a gengiva, o osso que envolve a raiz, o ligamento periodontal (fibras que funcionam como um amortecedor entre a raiz e o osso) e o cemento, uma fina camada que reveste a raiz. A periodontite pode comprometer todas essas estruturas.
Na cicatrização comum, depois de uma limpeza profunda ou de uma cirurgia convencional, a gengiva tende a se reorganizar e a inflamação diminui, mas o osso perdido em geral não volta. Na regeneração, a ideia é criar condições para que osso, ligamento e cemento se formem de novo em parte da área afetada, recuperando suporte para o dente.
Em quais situações ela pode ser indicada
A regeneração funciona melhor em alguns formatos de perda óssea. Por isso, o exame clínico e as radiografias são fundamentais para definir se ela é uma opção. As situações mais estudadas são:
- Defeitos intraósseos: quando o osso se perde de forma vertical ao lado da raiz, formando uma espécie de "poço" com paredes ósseas ao redor. A diretriz europeia de tratamento da periodontite recomenda considerar a cirurgia regenerativa quando esses defeitos têm 3 mm de profundidade ou mais e permanecem com bolsa profunda após a fase inicial do tratamento.
- Lesões de furca: perda de osso na região onde as raízes de dentes com mais de uma raiz se separam, como nos molares. Em algumas dessas lesões, especialmente as chamadas de grau II, a regeneração mostrou resultados melhores que a cirurgia convencional.
A bolsa periodontal, aliás, é o espaço que se forma entre o dente e a gengiva quando há perda de suporte. Quando ela continua profunda mesmo depois da raspagem periodontal, o periodontista avalia qual cirurgia pode ajudar, e a regeneração é uma das possibilidades.
Por que o controle da periodontite vem antes
A regeneração não é o primeiro passo. A diretriz da Federação Europeia de Periodontia, publicada em 2020, organiza o tratamento da periodontite em etapas: primeiro, orientação de higiene e controle de fatores de risco; depois, a limpeza profunda das raízes; e só então, se ainda houver bolsas profundas, a avaliação de procedimentos cirúrgicos.
Essa ordem tem motivo. Uma revisão sobre os conceitos clínicos da regeneração mostrou que os resultados variam bastante de pessoa para pessoa, e parte dessa variação está ligada ao paciente: o hábito de fumar, a qualidade da higiene em casa e a inflamação que ainda resta depois do tratamento inicial. Com a gengiva mais saudável e a placa bem controlada, as condições para a cicatrização tendem a ser melhores.
Como é feita a cirurgia regenerativa
O procedimento é feito no consultório, com anestesia local. A gengiva é afastada com cuidado para dar acesso à raiz e ao defeito ósseo, que é limpo minuciosamente. Em seguida, a profissional aplica os materiais escolhidos para favorecer a regeneração e reposiciona a gengiva com pontos.
Os materiais mais estudados incluem:
- Membranas, que funcionam como uma barreira para dar espaço e tempo aos tecidos de suporte se formarem.
- Proteínas derivadas da matriz do esmalte, que atuam como sinalizadoras biológicas para a cicatrização.
- Substitutos ósseos, que ajudam a preencher o defeito e a manter o espaço, muitas vezes em combinação com os anteriores.
Uma revisão sistemática com dezenas de estudos clínicos mostrou que, em defeitos intraósseos, as técnicas regenerativas levaram, em média, a um ganho maior de inserção do que a cirurgia apenas de acesso e limpeza. O mesmo estudo destacou a importância de técnicas que preservam a papila, a gengiva entre os dentes, para melhores resultados. A escolha do material e da técnica depende do formato do defeito e é feita no planejamento.
Recuperação e acompanhamento
Nos primeiros dias, é comum algum inchaço e desconforto, em geral controlados com as orientações e medicações indicadas. A região operada pede cuidados especiais de higiene por algumas semanas, seguindo exatamente o que foi combinado com a profissional, e os pontos costumam ser removidos na consulta de revisão.
A formação dos novos tecidos é lenta e acontece ao longo de meses. Por isso, a reavaliação completa não é feita logo depois da cirurgia. A manutenção periódica, com consultas regulares de limpeza e controle, é parte essencial para que o resultado se mantenha estável com o tempo.
A regeneração periodontal pode recuperar parte do suporte perdido, mas a resposta varia de pessoa para pessoa. A indicação, a técnica e a expectativa de resultado são definidas apenas após avaliação clínica e radiográfica.
Quando procurar avaliação
Se você já tratou a periodontite e ainda tem bolsas profundas, se recebeu o diagnóstico de perda óssea em algum dente ou se percebe um dente mais móvel que os outros, vale conversar com um periodontista. Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela, especialista e mestre em Periodontia, avalia cada caso para indicar se a regeneração periodontal, outra cirurgia ou apenas a manutenção é o caminho mais adequado.

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.
Referências
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- Cortellini P, Tonetti MS. Clinical concepts for regenerative therapy in intrabony defects. Periodontol 2000. 2015;68(1):282-307. doi.org/10.1111/prd.12048
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.
