Cirurgia plástica gengival
Enxerto gengival em São José dos Campos: como funciona e para quem é indicado
O enxerto gengival é uma cirurgia plástica da gengiva usada em alguns casos de retração. Veja como funciona, para quem costuma ser indicado e o que esperar da recuperação.
Quando a gengiva recua e deixa parte da raiz do dente à mostra, muita gente percebe primeiro pelo espelho: o dente parece mais comprido, surge uma sensibilidade ao tomar algo gelado ou aparece um pequeno degrau perto da gengiva. Essa condição se chama retração gengival e é bastante comum em adultos, inclusive em pessoas que cuidam bem da higiene.
Em parte desses casos, o enxerto gengival é uma das opções para proteger a região e, quando possível, recobrir a raiz exposta. Neste texto, explicamos como o procedimento funciona, para quem costuma ser indicado e o que esperar da recuperação, com informações úteis para quem busca o tratamento em São José dos Campos. A indicação, porém, sempre depende de avaliação presencial com o periodontista.
O que é o enxerto gengival
O enxerto gengival é uma cirurgia plástica periodontal, ou seja, um procedimento feito na gengiva com objetivo funcional e estético. Nele, o periodontista leva um pequeno fragmento de tecido de uma área doadora, geralmente o céu da boca (palato), para a região onde a gengiva está fina ou retraída.
Existem duas formas principais, e a escolha depende do objetivo de cada caso:
- Enxerto de tecido conjuntivo: usa a camada mais interna do tecido do palato, que fica coberta pela própria gengiva do paciente na área que recebe o enxerto. É a técnica mais estudada quando o objetivo é recobrir a raiz exposta.
- Enxerto gengival livre: usa um fragmento que inclui a camada superficial da gengiva. Costuma ser indicado quando a prioridade é aumentar a faixa de gengiva queratinizada, aquela gengiva mais firme e aderida que protege a base do dente.
Revisões sistemáticas publicadas pela Academia Americana de Periodontia apontam que os procedimentos com enxerto de tecido conjuntivo estão entre os que apresentam os melhores resultados de recobrimento da raiz, enquanto o enxerto livre é bem documentado para o ganho de gengiva queratinizada. Em algumas situações, substitutos de tecido também podem ser considerados, sempre conforme o planejamento.
Para quem o enxerto gengival costuma ser indicado
Nem toda retração precisa de cirurgia. A classificação internacional de doenças periodontais, revisada em 2017, orienta avaliar cada área considerando a profundidade da retração, a espessura da gengiva, a presença de sensibilidade, de lesões no colo do dente e a queixa estética da própria pessoa. Quando não há sinais de progressão nem incômodo, acompanhar a região pode ser o caminho mais adequado.
O enxerto costuma ser discutido em situações como:
- retração que aumentou ao longo do tempo ou que deixa uma parte grande da raiz exposta;
- sensibilidade frequente na área, que atrapalha a escovação ou a alimentação;
- gengiva muito fina, com risco maior de novas retrações;
- incômodo estético com dentes que parecem mais compridos ou desiguais;
- preparo para tratamentos ortodônticos ou restauradores em regiões de gengiva frágil.
Antes de pensar em cirurgia, é importante que a gengiva esteja saudável. Se houver inflamação, sangramento ou bolsas periodontais (o espaço que se forma entre o dente e a gengiva quando há perda de suporte), o primeiro passo é tratar essa condição, por exemplo com a raspagem periodontal. Também vale entender o que levou à retração, como escovação muito forte, para reduzir a chance de o problema continuar. O artigo sobre causas da retração gengival aprofunda esse ponto.
Como é feito o procedimento
O enxerto gengival é feito em consultório, com anestesia local. Em linhas gerais, o periodontista prepara a área que vai receber o tecido, remove o enxerto da área doadora e o posiciona sobre a raiz ou sobre a região de gengiva fina, fixando com pontos delicados. A duração varia conforme o número de dentes envolvidos e a técnica escolhida.
Na consulta de planejamento, a Dra. Rafaela examina a gengiva, mede a retração, observa a espessura do tecido e conversa sobre o que incomoda o paciente. Com essas informações, ela explica qual técnica faz mais sentido e quais são as expectativas realistas para aquele caso. Em São José dos Campos, o atendimento acontece na Elora Odontologia Integrada, no Jardim Aquarius.
O resultado do enxerto depende de fatores como o tipo de retração, a quantidade de osso e gengiva entre os dentes, a espessura do tecido, o hábito de fumar e os cuidados após a cirurgia. Por isso, é a avaliação individual que define a indicação e o que se pode esperar.
Como costuma ser a recuperação
Nos primeiros dias, é comum sentir algum desconforto, principalmente na região do céu da boca de onde o tecido foi retirado. O periodontista orienta sobre medicação, alimentação e higiene. Em geral, recomenda-se:
- preferir alimentos macios, frios ou em temperatura ambiente nos primeiros dias;
- evitar escovar diretamente a área operada até a liberação do periodontista;
- usar o enxaguante e a medicação somente conforme a prescrição;
- evitar fumar, já que o tabagismo pode prejudicar a cicatrização e o resultado;
- comparecer às consultas de revisão e de remoção dos pontos.
A cicatrização inicial costuma levar algumas semanas, mas a gengiva continua amadurecendo nos meses seguintes. A cor e o contorno finais vão se definindo com o tempo, e as revisões servem justamente para acompanhar essa evolução.
Depois do enxerto: cuidados de longo prazo
O enxerto reforça a gengiva da região, mas é a manutenção que ajuda a preservar o resultado ao longo dos anos. Escova macia, movimentos suaves, uso de fio dental ou escova interdental e consultas periódicas fazem parte desse cuidado.
A limpeza periódica com o periodontista permite acompanhar a área operada, ajustar a técnica de escovação quando necessário e identificar cedo qualquer mudança na gengiva.
Quando procurar avaliação
Vale marcar uma avaliação se você notou que a gengiva está recuando, se um dente parece mais comprido do que antes ou se a sensibilidade ao frio passou a ser frequente. Também é recomendável procurar o periodontista antes de iniciar um tratamento ortodôntico quando a gengiva já é fina. Na consulta, a Dra. Rafaela explica se o caso pede apenas acompanhamento, tratamento da inflamação ou enxerto gengival.

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.
Referências
- Cortellini P, Bissada NF. Mucogingival conditions in the natural dentition: narrative review, case definitions, and diagnostic considerations. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S190-S198. doi.org/10.1111/jcpe.12948
- Chambrone L, Tatakis DN. Periodontal soft tissue root coverage procedures: a systematic review from the AAP Regeneration Workshop. J Periodontol. 2015;86(2 Suppl):S8-S51. doi.org/10.1902/jop.2015.130674
- Kim DM, Neiva R. Periodontal soft tissue non-root coverage procedures: a systematic review from the AAP Regeneration Workshop. J Periodontol. 2015;86(2 Suppl):S56-S72. doi.org/10.1902/jop.2015.130684
- Cairo F, Nieri M, Pagliaro U. Efficacy of periodontal plastic surgery procedures in the treatment of localized facial gingival recessions. A systematic review. J Clin Periodontol. 2014;41(Suppl 15):S44-S62. doi.org/10.1111/jcpe.12182
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.
