Retração gengival

Retração gengival: causas mais comuns e como cuidar

A retração gengival acontece quando a gengiva recua e expõe parte da raiz do dente. Conheça os fatores que contribuem para ela e o que pode ser feito para cuidar.

6 min de leituraPor Dra. Rafaela Lantyer

Às vezes a mudança é tão lenta que quase não se nota. Um dente parece um pouco mais comprido do que antes, surge uma sensibilidade ao tomar algo gelado, ou aparece uma faixa mais amarelada perto da gengiva. Esses podem ser sinais de retração gengival, uma condição bastante comum em adultos.

A retração costuma gerar dúvidas: por que acontece, se a gengiva "volta" sozinha e o que fazer para que não aumente. Neste texto, reunimos as causas mais frequentes, os cuidados do dia a dia e as possibilidades de tratamento.

O que é retração gengival

Retração gengival, ou recessão gengival, é o deslocamento da margem da gengiva em direção à raiz do dente. Com isso, uma parte da raiz, que normalmente fica protegida, passa a ficar exposta na boca. Ela pode afetar um único dente ou vários, e é mais comum na face externa dos dentes, aquela voltada para os lábios e bochechas.

Na classificação internacional de 2017, a retração gengival faz parte das chamadas condições mucogengivais. Os especialistas passaram a descrevê-la levando em conta também a perda de inserção entre os dentes, o que ajuda a planejar o tratamento e a estimar o que é possível alcançar em cada caso.

Causas mais comuns

A retração raramente tem uma causa única. Em geral, ela resulta da combinação de características da própria pessoa com fatores do dia a dia. Entre os mais citados pela literatura estão:

  • Gengiva fina: pessoas com fenótipo gengival fino, ou seja, gengiva e osso mais delgados ao redor dos dentes, tendem a ser mais suscetíveis.
  • Pouca gengiva inserida: quando a faixa de gengiva firme ao redor do dente é estreita, a margem fica mais vulnerável.
  • Posição dos dentes: dentes mais projetados para fora do arco costumam ter menos osso recobrindo a raiz.
  • Escovação traumática: força excessiva, escova de cerdas duras e movimentos de vaivém intensos são apontados como possíveis fatores.
  • Doença periodontal: a periodontite pode levar à perda de inserção e à retração da gengiva.
  • Freio labial com inserção próxima da gengiva, que pode tracionar a margem gengival.
  • Movimentação ortodôntica e restaurações com bordas próximas da gengiva, em algumas situações.

Sobre a escovação, vale um esclarecimento. Uma revisão sistemática de 2007 avaliou se a forma de escovar influencia a retração e encontrou estudos que associam o problema à frequência, à força e à dureza das cerdas. Os autores concluíram, porém, que os dados ainda não permitem confirmar nem descartar essa relação. Por isso, a recomendação é escovar com cuidado, sem abrir mão da limpeza.

Sinais e evolução da retração

  • Dente com aparência mais comprida ou gengiva mais "baixa" em algum ponto.
  • Sensibilidade ao frio, ao doce ou ao toque da escova perto da gengiva.
  • Mudança de cor perto da gengiva, já que a raiz costuma ser mais amarelada que a coroa.
  • Espaços mais visíveis entre os dentes, próximos à gengiva.
  • Desgastes em forma de cunha na região do colo do dente.

A raiz exposta também fica mais sujeita a cárie e a desgastes, porque não tem a proteção do esmalte. Isso não é motivo de alarme, mas reforça a importância de acompanhar a região.

A retração pode aumentar com o tempo?

É uma pergunta frequente. Uma revisão sistemática publicada em 2016 reuniu estudos que acompanharam, por pelo menos dois anos, retrações que não receberam tratamento cirúrgico, em pessoas com boa higiene bucal. A maior parte dessas retrações aumentou durante o período de acompanhamento, e novas áreas de retração também surgiram.

Isso não significa que toda retração vai avançar, nem que todas precisam de cirurgia. Mas mostra que vale acompanhar a gengiva com regularidade e entender, junto ao periodontista, quais fatores estão presentes no seu caso.

Como cuidar no dia a dia

Alguns cuidados simples ajudam a proteger a gengiva e a raiz exposta:

  • Use escova de cerdas macias ou extramacias e evite fazer força.
  • Prefira movimentos suaves e curtos, direcionando as cerdas com delicadeza para a gengiva.
  • Limpe entre os dentes diariamente, com o acessório indicado na consulta.
  • Use creme dental com flúor e, se houver sensibilidade, pergunte ao dentista sobre produtos específicos.
  • Mantenha as consultas de acompanhamento, para observar se há mudanças.

Para um passo a passo mais detalhado, veja nosso texto sobre como cuidar da gengiva em casa.

Opções de tratamento

O tratamento da retração gengival começa sempre pela avaliação. O periodontista mede a retração, observa a espessura da gengiva, a posição do dente e a inserção do freio, e verifica se há inflamação ou perda de suporte entre os dentes. A partir disso, define se o caso pede apenas acompanhamento e ajustes de hábitos ou se há indicação de cirurgia.

Quando indicado, o enxerto gengival pode ser usado para recobrir a raiz exposta ou aumentar a espessura da gengiva, tornando a região mais resistente. Se um freio com inserção muito próxima da gengiva estiver contribuindo, a frenectomia pode fazer parte do plano. O resultado de cada procedimento depende das características de cada caso, como a quantidade de osso e gengiva entre os dentes.

Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela Lantyer, especialista e mestre em Periodontia, tem vasta experiência em cirurgias plásticas gengivais e diversos cursos avançados na área.

Quando procurar avaliação

Vale marcar uma consulta se você notou um dente mais comprido, sensibilidade nova perto da gengiva ou mudança no contorno do sorriso. Também é indicado para quem vai iniciar um tratamento ortodôntico e tem gengiva fina, ou para quem já tem retração e não faz acompanhamento. A conduta mais adequada para cada pessoa só pode ser definida depois do exame presencial.

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Dra. Rafaela Lantyer
Dra. Rafaela Lantyer

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.

Referências

  1. Cortellini P, Bissada NF. Mucogingival conditions in the natural dentition: Narrative review, case definitions, and diagnostic considerations. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S190-S198. doi.org/10.1111/jcpe.12948
  2. Jepsen S, Caton JG, Albandar JM, et al. Periodontal manifestations of systemic diseases and developmental and acquired conditions: Consensus report of workgroup 3 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S219-S229. doi.org/10.1111/jcpe.12951
  3. Chambrone L, Tatakis DN. Long-term outcomes of untreated buccal gingival recessions: a systematic review and meta-analysis. J Periodontol. 2016;87(7):796-808. doi.org/10.1902/jop.2016.150625
  4. Rajapakse PS, McCracken GI, Gwynnett E, Steen ND, Guentsch A, Heasman PA. Does tooth brushing influence the development and progression of non-inflammatory gingival recession? A systematic review. J Clin Periodontol. 2007;34(12):1046-1061. doi.org/10.1111/j.1600-051X.2007.01149.x

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.

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