Prevenção
Check-up odontológico: o que é avaliado na consulta periodontal
A consulta periodontal vai além de olhar os dentes. Entenda, etapa por etapa, o que o periodontista observa e mede para saber se a sua gengiva está saudável.
Muita gente associa a ida ao dentista a um problema já instalado: uma dor, um dente quebrado, uma restauração que caiu. Mas a gengiva tem uma característica importante. Suas doenças costumam evoluir em silêncio, sem dor, e por isso podem passar despercebidas por bastante tempo.
É aí que entra o check-up periodontal. Nessa consulta, o objetivo é avaliar com cuidado a saúde da gengiva e dos tecidos que sustentam os dentes, mesmo quando nada parece errado. A seguir, explicamos o que acontece em cada etapa e o que cada exame mostra.
A conversa inicial: sua história também conta
A avaliação começa por uma conversa. O periodontista pergunta sobre sua saúde geral, medicamentos em uso, tratamentos odontológicos anteriores e hábitos do dia a dia. Algumas informações têm peso especial para a gengiva:
- Tabagismo: o cigarro está entre os fatores que mais influenciam o risco e a evolução da periodontite.
- Diabetes: especialmente quando a glicose não está bem controlada, se relaciona com maior risco de doença periodontal.
- Histórico familiar: casos de perda de dentes na família podem ser um sinal de atenção.
- Sintomas percebidos: sangramento ao escovar, mau hálito, sensibilidade ou dentes que mudaram de posição.
Essas respostas ajudam a interpretar o exame clínico e a definir quanto acompanhamento cada pessoa precisa. Duas pessoas com a gengiva parecida podem ter riscos bem diferentes.
O exame clínico da gengiva
Em seguida vem o exame da boca. O profissional observa a cor, o contorno e a textura da gengiva, a presença de placa bacteriana e de tártaro, e possíveis retrações, que são aquelas áreas em que a gengiva recuou e deixou parte da raiz exposta.
A sondagem periodontal
A parte mais característica da consulta é a sondagem periodontal. Com uma sonda fina e milimetrada, o periodontista mede o espaço entre o dente e a gengiva em vários pontos ao redor de cada dente. Em uma gengiva saudável, esse espaço é raso. Quando ele está aprofundado, falamos em bolsa periodontal, o espaço que se forma entre o dente e a gengiva quando há perda de suporte.
O exame costuma ser bem tolerado. A sonda é usada com pressão leve, e a maioria das pessoas sente apenas um leve incômodo nas áreas inflamadas.
Sangramento e perda de inserção
Durante a sondagem, o profissional anota onde há sangramento. Esse é um dos principais sinais de inflamação. A classificação internacional das doenças periodontais, publicada em 2018, usa a proporção de pontos que sangram para diferenciar uma gengiva saudável de um quadro de gengivite.
Outro dado importante é a perda de inserção clínica, que mostra o quanto o dente perdeu de sustentação desde a junção entre a coroa e a raiz. É essa medida que ajuda a identificar a periodontite e a diferenciá-la da gengivite.
Radiografias e outros detalhes
Quando indicado, o periodontista solicita radiografias. Elas mostram o nível do osso ao redor dos dentes, algo que não dá para ver a olho nu. Comparadas com exames anteriores, também ajudam a perceber se houve mudança ao longo do tempo.
O exame inclui ainda a avaliação da mobilidade dos dentes, de áreas entre as raízes de molares, das restaurações e próteses que possam acumular placa e da mucosa da boca de forma geral. Quem tem implantes também tem a gengiva ao redor deles examinada.
O que o resultado significa
Com todas essas informações, o periodontista chega a um diagnóstico. De forma simplificada, as possibilidades mais comuns são:
- Gengiva saudável: pouco ou nenhum sangramento e sem perda de suporte. O foco é manter a rotina de cuidados e o acompanhamento.
- Gengivite: inflamação da gengiva, sem perda de suporte. É reversível com a remoção da placa e boa higiene.
- Periodontite: inflamação com perda de suporte do dente. A classificação atual descreve a doença em estágios (de I a IV, conforme gravidade e complexidade) e em graus (A, B e C, conforme o ritmo de progressão e os fatores de risco).
Esse sistema de estágios e graus ajuda a planejar o tratamento de forma individual. Se o diagnóstico for de gengivite, por exemplo, a conduta é diferente da indicada para periodontite.
Ao final da consulta, o periodontista explica o que foi encontrado, mostra as áreas que merecem mais atenção e orienta a higiene em casa de acordo com a sua boca. Quando há necessidade de tratamento, as etapas são apresentadas com clareza, para que você possa tirar dúvidas e decidir com tranquilidade. Em muitos casos, pequenos ajustes na escovação e na limpeza entre os dentes já fazem diferença.
O check-up também registra um ponto de partida. As medidas anotadas hoje servem de comparação nas próximas consultas e ajudam a perceber mudanças cedo.
Com que frequência fazer o check-up
Não existe um intervalo único para todo mundo. Quem tem a gengiva saudável e poucos fatores de risco pode precisar de retornos mais espaçados. Quem já tratou uma periodontite costuma precisar de acompanhamento mais próximo, definido pelo periodontista. O tema é explicado com mais detalhes no artigo De quanto em quanto tempo fazer limpeza nos dentes?.
Muitas vezes, o check-up é feito junto com a limpeza periódica, que remove a placa e o tártaro acumulados nas áreas que a escova não alcança.
Quando procurar avaliação
Vale agendar um check-up odontológico se faz mais de um ano desde a última avaliação da gengiva, se você percebe sangramento ao escovar, mau hálito persistente, retração ou dentes com mobilidade, ou se tem diabetes, fuma ou tem histórico de doença periodontal na família.
Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela Lantyer, especialista e mestre em Periodontia, realiza a avaliação periodontal completa e explica cada achado com calma, para que você entenda a saúde da sua gengiva e as opções de cuidado.

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.
Referências
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Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.
