Sorriso gengival
Sorriso gengival: o que é e quais são as opções de tratamento
Mostrar bastante gengiva ao sorrir pode ter causas diferentes. Veja quais são, como é feita a avaliação e quando a gengivoplastia pode ser indicada.
Algumas pessoas sentem que, ao sorrir, mostram mais gengiva do que gostariam. Os dentes podem parecer curtos ou quadrados, e o sorriso fica com uma faixa rosada bem aparente acima dos dentes superiores. Essa característica é chamada popularmente de sorriso gengival e, nos estudos científicos, de exposição gengival excessiva.
Não existe um sorriso certo ou errado. A questão central é se aquilo incomoda a pessoa e, principalmente, qual é a causa. Entender de onde vem o excesso de gengiva aparente é o primeiro passo antes de pensar em qualquer tratamento, porque cada causa pede um caminho diferente.
O que é o sorriso gengival
Fala-se em sorriso gengival quando uma faixa maior de gengiva fica visível durante o sorriso espontâneo. Muitos estudos usam como referência alguns milímetros de gengiva aparente, mas a percepção estética varia bastante de pessoa para pessoa e também depende do formato do rosto, dos lábios e dos dentes.
Na maioria das vezes, o sorriso gengival não é uma doença e não traz prejuízo à saúde. É uma questão de harmonia e de como a pessoa se sente com o próprio sorriso. Mesmo assim, ele merece uma avaliação cuidadosa, porque em alguns casos está associado a inflamação ou a dificuldades de higiene.
Por que algumas pessoas mostram mais gengiva
O sorriso gengival raramente tem uma causa única. As principais descritas na literatura são:
- Lábio superior com mobilidade aumentada: o lábio sobe mais do que a média ao sorrir e revela mais gengiva, mesmo com dentes de tamanho normal. Um estudo com pessoas que procuravam tratamento para sorriso gengival encontrou essa característica como a causa mais frequente, muitas vezes junto com a erupção passiva alterada.
- Erupção passiva alterada: durante o desenvolvimento, a gengiva não se acomoda na posição habitual e continua cobrindo parte do esmalte. O dente está inteiro, mas parece curto.
- Aumento de volume da gengiva: inflamação persistente, alguns medicamentos e outras condições podem deixar a gengiva mais volumosa.
- Fatores dos ossos da face e da posição dos dentes: um crescimento vertical maior da maxila ou dentes superiores que desceram além do habitual também influenciam a quantidade de gengiva que aparece.
Em muitas pessoas, mais de um desses fatores está presente ao mesmo tempo. Uma revisão recente aponta a erupção passiva alterada e a mobilidade do lábio como as duas principais causas ligadas aos tecidos moles. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito com calma, olhando o conjunto.
Como é feita a avaliação
Na consulta, o periodontista observa o sorriso em repouso e em movimento, mede o comprimento e a largura dos dentes, avalia a quantidade de gengiva aparente e verifica a saúde da gengiva. Quando necessário, exames de imagem ajudam a entender onde está o osso em relação à coroa do dente. Fotos e vídeos do sorriso também contribuem para o planejamento. Outro ponto observado é a forma dos dentes: dentes que parecem curtos podem ter tamanho normal escondido pela gengiva, ou podem ter sofrido desgaste, e essa diferença muda a abordagem.
Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela, especialista e mestre em Periodontia, faz essa análise considerando também o que incomoda o paciente e o que ele espera. É a partir dela que se define se o caso tem relação com a gengiva, com o lábio, com os ossos ou com uma combinação de fatores.
Se houver inflamação, ela é tratada antes de qualquer outra etapa. A gengiva inflamada pode parecer maior do que realmente é, e o controle da gengivite às vezes já muda bastante a aparência do sorriso.
Gengivoplastia: quando a causa está na gengiva
Quando a avaliação mostra que o excesso de gengiva vem da erupção passiva alterada ou de um aumento gengival, a gengivoplastia pode ser indicada. É uma cirurgia plástica gengival que remodela o contorno da gengiva, revelando uma porção maior da coroa dos dentes e buscando um desenho mais harmônico.
Em alguns casos, o exame mostra que o osso está muito próximo da borda do esmalte. Revisões sobre o tema descrevem que, nessa situação, o planejamento precisa incluir também um ajuste do osso, para que a gengiva encontre uma posição estável e não tenda a voltar. Esse tipo de detalhe é definido no planejamento individual, antes da cirurgia.
A literatura considera o aumento de coroa estético, que inclui a remodelação da gengiva, uma abordagem estabelecida para o sorriso gengival causado por erupção passiva alterada. Ainda assim, cada caso tem particularidades, e o resultado depende da anatomia, da cicatrização e dos cuidados depois do procedimento. A conversa antes da cirurgia serve para alinhar o contorno pretendido, os cuidados do pós-operatório e o tempo de cicatrização, que costuma levar algumas semanas na parte superficial e alguns meses até a acomodação final.
Outras abordagens descritas na literatura
Quando o sorriso gengival tem relação com o lábio, com a posição dos dentes ou com os ossos da face, a literatura descreve outras abordagens. Elas dependem de outros profissionais e de avaliação específica:
- Toxina botulínica: revisões descrevem seu uso para reduzir a elevação do lábio superior ao sorrir, com efeito temporário e protocolos ainda variados entre os estudos.
- Ortodontia: pode ser considerada quando a posição dos dentes contribui para a exposição de gengiva.
- Cirurgia ortognática: descrita para casos com excesso de crescimento vertical da maxila, com planejamento entre ortodontista e cirurgião bucomaxilofacial.
Essas abordagens não fazem parte dos tratamentos realizados pela Dra. Rafaela. Quando a avaliação indica que o caso envolve esses fatores, a orientação é procurar o profissional adequado, e a parte gengival pode ser planejada de forma integrada.
Quando procurar avaliação
Se o sorriso gengival incomoda você, se os dentes parecem curtos ou se a gengiva está com volume aumentado, uma consulta ajuda a entender a causa antes de escolher qualquer caminho. A avaliação também é o momento de tirar dúvidas e alinhar expectativas sobre o que é possível em cada caso. Mais detalhes estão na página sobre sorriso gengival.

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.
Referências
- Mele M, Felice P, Sharma P, Mazzotti C, Bellone P, Zucchelli G. Esthetic treatment of altered passive eruption. Periodontol 2000. 2018;77(1):65-83. doi.org/10.1111/prd.12206
- Tatakis DN, Silva CO. Contemporary treatment techniques for excessive gingival display caused by altered passive eruption or lip hypermobility. J Dent. 2023;138:104711. doi.org/10.1016/j.jdent.2023.104711
- Andijani RI, Tatakis DN. Hypermobile upper lip is highly prevalent among patients seeking treatment for gummy smile. J Periodontol. 2019;90(3):256-262. doi.org/10.1002/JPER.18-0468
- Nasr MW, Jabbour SF, Sidaoui JA, Haber RN, Kechichian EG. Botulinum toxin for the treatment of excessive gingival display: a systematic review. Aesthet Surg J. 2016;36(1):82-88. doi.org/10.1093/asj/sjv082
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.
