Implantes e gengiva
Peri-implantite: sinais de atenção e cuidados com a gengiva ao redor do implante
O implante não tem cárie, mas a gengiva ao redor dele pode inflamar. Entenda a diferença entre mucosite e peri-implantite, os sinais de atenção e como é o cuidado.
Quem tem implante dentário costuma ouvir que ele não pega cárie. Isso é verdade, mas não significa que ele dispense cuidados. Assim como acontece com os dentes naturais, a gengiva ao redor do implante pode acumular placa bacteriana e inflamar.
Quando essa inflamação atinge também o osso que sustenta o implante, o quadro recebe o nome de peri-implantite. Neste texto, explicamos como reconhecer os sinais de atenção, como é feito o diagnóstico e quais cuidados ajudam a manter a saúde dos tecidos ao redor do implante.
Mucosite e peri-implantite: qual a diferença
A classificação internacional das doenças periodontais e peri-implantares, publicada em 2018, descreve dois quadros principais de inflamação ao redor dos implantes:
- Mucosite peri-implantar: inflamação restrita à gengiva ao redor do implante, sem perda de osso. O principal sinal é o sangramento quando a região é examinada com delicadeza. Pode ser comparada à gengivite e, em geral, é reversível com o controle da placa.
- Peri-implantite: inflamação da gengiva acompanhada de perda progressiva do osso que sustenta o implante. Pode ser comparada à periodontite dos dentes naturais.
O mesmo consenso aponta que a placa bacteriana é o fator que desencadeia a mucosite. Por isso, a mucosite é vista como a etapa anterior à peri-implantite, e tratar cedo é a forma mais eficaz de evitar a progressão.
A revisão sobre peri-implantite que embasou essa classificação observou que ela pode surgir ainda nos primeiros anos de uso do implante e que tende a progredir de forma irregular, com aceleração ao longo do tempo. Isso não é motivo para susto, e sim para atenção: quanto antes a inflamação é identificada, mais simples costuma ser o cuidado e maiores são as chances de controlar o quadro.
Sinais de atenção
No começo, a inflamação ao redor do implante pode não dar sintomas. Alguns sinais, porém, merecem uma avaliação:
- Sangramento na gengiva ao redor do implante ao escovar ou passar o fio.
- Gengiva vermelha, inchada ou sensível naquela região.
- Saída de pus ou gosto ruim na boca.
- Gengiva que parece ter recuado, deixando à mostra partes metálicas ou a base da prótese.
- Sensação de prótese solta ou de mobilidade, que exige avaliação rápida.
A presença de um desses sinais não confirma o diagnóstico, mas indica que vale examinar. Muitas vezes, a mucosite é encontrada em consultas de rotina, antes mesmo de a pessoa perceber qualquer alteração.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico e radiográfico. O periodontista examina a gengiva ao redor do implante, mede com uma sonda delicada o espaço entre a gengiva e o implante e verifica se há sangramento ou pus. Em seguida, quando indicado, avalia radiografias para observar o nível do osso.
Um detalhe importante: o consenso de 2018 recomenda registrar medidas e radiografias de referência logo após a instalação da prótese sobre o implante. Esses registros servem de comparação no futuro e ajudam a perceber se houve perda de osso ao longo do tempo. Se você tem esses exames, vale levá-los à consulta.
Como é o tratamento da inflamação
Em 2023, a Federação Europeia de Periodontia publicou uma diretriz clínica sobre prevenção e tratamento das doenças peri-implantares. Ela organiza o cuidado em etapas, de forma parecida com o tratamento da periodontite:
- Preparação: orientação de higiene, controle de fatores de risco e verificação de que a prótese permite a limpeza adequada. Quando a prótese precisa de ajuste, o periodontista conversa com o profissional responsável por ela.
- Tratamento não cirúrgico: limpeza profissional cuidadosa ao redor do implante, removendo a placa e o tártaro acumulados. Na mucosite, essa etapa somada à boa higiene em casa costuma ser o tratamento principal.
- Tratamento cirúrgico: na peri-implantite, quando a inflamação não se resolve com a etapa anterior, pode ser indicada uma cirurgia para acessar e limpar a superfície do implante.
- Manutenção: consultas regulares de acompanhamento para preservar o resultado.
Cada caso é diferente. A escolha da abordagem depende da extensão da perda de osso, do formato do defeito, do tipo de prótese e da saúde geral do paciente. Por isso, o plano é sempre definido após a avaliação presencial. Na página de peri-implantite há mais informações sobre o cuidado oferecido.
Prevenção e manutenção no dia a dia
As revisões científicas apontam alguns fatores ligados a maior risco de peri-implantite: histórico de periodontite, controle de placa deficiente e falta de acompanhamento regular após a colocação do implante. A boa notícia é que boa parte disso pode ser cuidada.
Implante também precisa de manutenção. Uma revisão sistemática sugeriu intervalos de cerca de cinco a seis meses como referência mínima, ajustados ao risco de cada pessoa.
Em casa, a limpeza ao redor do implante segue os mesmos princípios dos dentes: escovação cuidadosa na linha da gengiva e limpeza diária dos espaços entre os dentes e embaixo das próteses, com fio, escova interdental ou outros acessórios indicados. No consultório, a limpeza periódica e a avaliação da gengiva completam esse cuidado. Quem já teve periodontite merece atenção especial, já que esse histórico aumenta o risco.
Quando procurar avaliação
Vale agendar uma avaliação se você notar sangramento, inchaço, pus ou recuo da gengiva ao redor do implante, ou se faz tempo que a região não é examinada por um profissional. Quem tem implantes e histórico de doença na gengiva também se beneficia de acompanhamento periodontal regular.
Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela Lantyer, especialista e mestre em Periodontia, avalia a gengiva ao redor dos implantes, trata a inflamação quando presente e orienta a manutenção. O diagnóstico e a indicação de tratamento sempre dependem dessa avaliação.

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.
Referências
- Herrera D, Berglundh T, Schwarz F, et al. Prevention and treatment of peri-implant diseases: The EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol. 2023;50(Suppl 26):4-76. doi.org/10.1111/jcpe.13823
- Berglundh T, Armitage G, Araujo MG, et al. Peri-implant diseases and conditions: Consensus report of workgroup 4 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S286-S291. doi.org/10.1111/jcpe.12957
- Schwarz F, Derks J, Monje A, Wang HL. Peri-implantitis. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S246-S266. doi.org/10.1111/jcpe.12954
- Heitz-Mayfield LJA, Salvi GE. Peri-implant mucositis. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S237-S245. doi.org/10.1111/jcpe.12953
- Monje A, Aranda L, Diaz KT, et al. Impact of maintenance therapy for the prevention of peri-implant diseases: a systematic review and meta-analysis. J Dent Res. 2016;95(4):372-379. doi.org/10.1177/0022034515622432
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.
