Saúde da gengiva

Mau hálito pode vir da gengiva? Entenda a relação

Na maioria das vezes, o mau hálito começa na própria boca. A língua e a gengiva estão entre as fontes mais comuns, e só a avaliação mostra qual é o caso de cada pessoa.

5 min de leituraPor Dra. Rafaela Lantyer

Pouca gente fala abertamente sobre mau hálito, mas ele é bem mais comum do que parece. Uma revisão sistemática com estudos de vários países estimou que cerca de uma em cada três pessoas convive com o problema em algum grau. Mesmo assim, muita gente passa anos tentando disfarçar o cheiro com balas, chicletes e enxaguantes, sem saber de onde ele vem.

A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, a origem está dentro da boca e pode ser identificada em uma consulta. E a gengiva entra nessa história com frequência. Neste texto, explicamos as causas mais comuns, como a inflamação gengival se relaciona com o hálito e por que a avaliação é o caminho para entender cada caso.

De onde vem o mau hálito

O nome técnico do mau hálito é halitose. O cheiro desagradável costuma ser produzido por bactérias que vivem na boca e decompõem restos de alimentos, células descamadas e proteínas. Nesse processo, elas liberam compostos à base de enxofre, que são os principais responsáveis pelo odor.

Um consenso internacional sobre o manejo da halitose no consultório odontológico apontou que cerca de 90% dos casos têm origem na própria cavidade bucal. As fontes mais encontradas são três:

  • Língua saburrosa: uma camada esbranquiçada ou amarelada no dorso da língua, principalmente na parte de trás, formada por bactérias, células e restos de alimentos. É a causa mais frequente.
  • Gengivite ou periodontite: a inflamação da gengiva e dos tecidos que sustentam os dentes cria ambientes onde as bactérias se acumulam com facilidade.
  • A combinação das duas: língua saburrosa e inflamação gengival ao mesmo tempo, situação também bastante comum.

Num estudo com 2.000 pacientes atendidos em uma clínica especializada em hálito na Bélgica, uma causa bucal foi encontrada em 76% das pessoas. A língua saburrosa sozinha respondeu por 43% dos casos, a gengivite ou periodontite por 11%, e a combinação das duas por 18%.

Como a gengiva participa do mau hálito

Quando a placa bacteriana fica acumulada junto à gengiva, ela provoca inflamação. Esse é o quadro da gengivite, que costuma aparecer como gengiva vermelha, inchada e que sangra ao escovar ou passar o fio dental. A inflamação, por si só, já favorece um ambiente com mais bactérias e mais restos de tecido, o que pode piorar o hálito.

Se a inflamação avança e atinge os tecidos de suporte do dente, falamos em periodontite. Nesse estágio, podem surgir as bolsas periodontais, que são espaços que se formam entre o dente e a gengiva. Essas bolsas são difíceis de limpar em casa e abrigam bactérias que produzem justamente os compostos de enxofre ligados ao mau cheiro.

Por isso, quem tem mau hálito e também percebe sangramento gengival merece uma avaliação da gengiva. Se esse é o seu caso, vale ler também o nosso texto sobre gengiva sangrando ao escovar.

Outras causas que também precisam ser lembradas

Nem todo mau hálito vem da gengiva ou da língua. Algumas situações do dia a dia alteram o cheiro de forma passageira, como o hálito ao acordar, o jejum prolongado e alimentos como alho e cebola. Outras situações merecem um olhar mais atento:

  • Boca seca, que pode estar relacionada a alguns medicamentos, à respiração pela boca ou à baixa ingestão de água.
  • Restos de alimento presos em restaurações com falhas, cáries ou próteses mal higienizadas.
  • Causas fora da boca, como alterações de nariz, garganta ou amígdalas, que respondem por uma parcela pequena dos casos e são avaliadas pelo médico.
  • A chamada pseudo-halitose, quando a pessoa sente que tem mau hálito, mas o cheiro não é percebido por outras pessoas na avaliação.

Esse último ponto é importante. No estudo belga, cerca de 16% dos pacientes estavam preocupados com um mau hálito que não foi confirmado no exame. Ou seja, a percepção individual nem sempre corresponde ao que acontece de fato, e isso também precisa ser acolhido.

Como a avaliação define a causa

Como as origens são variadas, o tratamento só faz sentido depois de entender de onde vem o cheiro. Na consulta, o dentista conversa sobre a rotina, os hábitos, os medicamentos em uso e há quanto tempo o problema incomoda. Em seguida, examina a língua, os dentes, as restaurações e a gengiva.

Na avaliação periodontal, o profissional usa uma sonda milimetrada para medir o espaço entre o dente e a gengiva e verificar se há sangramento. Isso mostra se existe gengivite, periodontite ou se a gengiva está saudável. Quando os sinais apontam para uma causa fora da boca, o caminho é o encaminhamento para avaliação médica.

Enxaguantes e balas podem mascarar o cheiro por algumas horas, mas não tratam a causa. Quando o mau hálito persiste, o mais indicado é investigar a origem.

Cuidados que costumam ajudar no dia a dia

Depois da avaliação, o plano é definido conforme a causa. Quando a origem é a língua ou a gengiva, alguns cuidados costumam fazer parte da rotina:

  • Escovar os dentes com atenção à linha da gengiva, pelo menos duas vezes ao dia.
  • Limpar entre os dentes diariamente, com fio dental ou escova interdental, conforme a orientação recebida.
  • Higienizar a língua com delicadeza, de trás para a frente, com raspador ou com a própria escova.
  • Beber água ao longo do dia e manter acompanhamento profissional regular.

Quando há gengivite, a remoção profissional da placa e do tártaro, feita na limpeza periódica, somada à boa higiene em casa, costuma reduzir a inflamação. Na periodontite, o tratamento é mais aprofundado e envolve a limpeza das bolsas periodontais. Em ambos os casos, o resultado depende da avaliação e da resposta de cada pessoa.

Quando procurar avaliação

Vale agendar uma consulta se o mau hálito persiste mesmo com boa higiene, se outras pessoas comentam sobre ele ou se ele vem acompanhado de gengiva sangrando, inchada ou dentes que parecem mais compridos. Também vale procurar ajuda se a preocupação com o hálito está atrapalhando a convivência, mesmo sem confirmação de cheiro.

Em São José dos Campos, a Dra. Rafaela Lantyer, especialista e mestre em Periodontia, faz a avaliação da gengiva e orienta o cuidado de acordo com a causa encontrada. O primeiro passo é sempre entender de onde vem o problema.

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Dra. Rafaela Lantyer
Dra. Rafaela Lantyer

Cirurgiã-dentista, especialista e mestre em Periodontia (USP | UNESP). Atende em São José dos Campos.

Referências

  1. Seemann R, Conceicao MD, Filippi A, et al. Halitosis management by the general dental practitioner: results of an international consensus workshop. J Breath Res. 2014;8(1):017101. doi.org/10.1088/1752-7155/8/1/017101
  2. Quirynen M, Dadamio J, Van den Velde S, et al. Characteristics of 2000 patients who visited a halitosis clinic. J Clin Periodontol. 2009;36(11):970-975. doi.org/10.1111/j.1600-051X.2009.01478.x
  3. Silva MF, Leite FRM, Ferreira LB, et al. Estimated prevalence of halitosis: a systematic review and meta-regression analysis. Clin Oral Investig. 2018;22(1):47-55. doi.org/10.1007/s00784-017-2164-5
  4. Chapple ILC, Mealey BL, Van Dyke TE, et al. Periodontal health and gingival diseases and conditions on an intact and a reduced periodontium: Consensus report of workgroup 1 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. J Clin Periodontol. 2018;45(Suppl 20):S68-S77. doi.org/10.1111/jcpe.12940

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta: o diagnóstico e a indicação de qualquer tratamento dependem de avaliação presencial.

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